O Stress e a Condução

Vários são os estudos que têm evidenciado, ainda que de uma forma não específica à tarefa de condução, a relação entre uma situação indutora de stress e a atividade intelectual e /ou o desempenho de determinado indivíduo.

Uma das primeiras explicações, e talvez a mais divulgada, é a designada por Lei de Yerkes-Dodson (1908), evidenciada no quadro seguinte:

Entretanto foram surgindo outras explicações, com algumas correções a este modelo, mas a conclusão inquestionável foi sempre que o stress interfere com o desempenho, e quanto maior a sua intensidade, pior o desempenho se torna.

Sem querer prolongar a descrição das repercussões biológicas de uma resposta de stress, podemos resumir que perante uma situação indutora de stress, ocorre um conjunto de alterações ao nível químico/hormonal (sobretudo ao nível do Sistema Nervoso Central, mas com efeitos ao nível Cardiovascular, Respiratório, Digestivo e Muscular) que podem conduzir a variadas interferências no comportamento/ desempenho do indivíduo.

Estas alterações podem apresentar consequências, quer ao nível da percepção, do comportamento imediato ou em manifestações mais prolongadas. Sendo assim, é comum verificar que indivíduos que experienciam um nível de stress intenso e prolongado, tendem a apresentar alterações de sono, de humor, de energia, de memória, que a longo prazo poderão levar ao desenvolvimento de outros quadros clínicos, tais como, depressão ou crises de ansiedade.

Quando falamos da tarefa de condução, pensamos sempre num fenómeno trifásico. Um comportamento que envolve as etapas de VER, PENSAR e AGIR.
Devido às alterações biológicas referidas de uma resposta de stress, será importante (re)conhecer que estas 3 competências poderão ser fortemente enviesadas, devido aos seguintes aspetos:

Ao Nível da Percepção
Devido às alterações biológicas referidas, o indivíduo “stressado” é frequentemente levado a fazer interpretações erradas, por exemplo, erros na avaliação de distâncias, velocidades, entre outros, que comprometerão a sua clareza na análise das relações causa-efeito, e consequentemente no seu processo de tomada de decisão.

Ao Nível da Atenção
O indivíduo passa a sentir uma maior dificuldade em manter uma atenção persistente, pelo que surge uma maior frequência de erros, sobretudo, quando tem de atender a vários estímulos simultâneos.

Ao Nível da Memória
O indivíduo mostra uma maior dificuldade em reter informação e em recuperar dados de informação armazenada. Mais uma vez, vê assim comprometida, a sua capacidade/qualidade de tomar uma decisão.

Perante um quadro de stress, o indivíduo tende a apresentar decisões prematuras, impulsivas, sem considerar todas as alternativas possíveis, apenas com o intuito de se libertar rapidamente da situação que o está a incomodar. Esta dificuldade tende a ser ainda mais acentuada quando o indivíduo se encontra num dilema em que possa estar ameaçada a sua condição física, tal como poderá acontecer perante um imprevisto durante a tarefa da condução.

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